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Letras de barcos amazônicos viram moda e design em espaço cultural dedicado a artistas ribeirinhos em Belém

A proposta do instituto é aproximar moradores e visitantes de um saber tradicional historicamente ligado aos rios amazônicos ILQF Em meio às discussões do D...

Letras de barcos amazônicos viram moda e design em espaço cultural dedicado a artistas ribeirinhos em Belém
Letras de barcos amazônicos viram moda e design em espaço cultural dedicado a artistas ribeirinhos em Belém (Foto: Reprodução)

A proposta do instituto é aproximar moradores e visitantes de um saber tradicional historicamente ligado aos rios amazônicos ILQF Em meio às discussões do Dia Internacional dos Museus, celebrado neste domingo (18), um espaço no centro histórico de Belém propõe um olhar diferente sobre memória e preservação cultural na Amazônia. No Canto do Letras, sede do Instituto Letras que Flutuam, as tradicionais pinturas feitas à mão nos barcos amazônicos ganham novos suportes e aparecem em camisas, gravuras, agendas, placas e peças de design produzidas em parceria com abridores de letras — artistas ribeirinhos responsáveis pelas tipografias ornamentadas presentes nas embarcações da região. Formalizado em maio de 2024, o instituto completa dois anos acumulando ações de formação, geração de renda, oficinas, exposições e circulação cultural voltadas à valorização da cultura gráfica ribeirinha amazônica. A proposta do espaço dialoga com mudanças recentes no conceito internacional de museu. Em 2022, o Conselho Internacional de Museus (ICOM), organização ligada à Unesco, aprovou uma nova definição que passou a reconhecer museus também como espaços de participação comunitária, troca cultural e preservação de patrimônios vivos. Segundo a pesquisadora Fernanda Martins, o Canto do Letras surgiu justamente com a proposta de aproximar os saberes ribeirinhos do cotidiano urbano. “Hoje o museu tem uma dinâmica muito mais importante. Tem um papel social muito mais importante”, afirma. Ela define o espaço como um “porto de cultura”. “É um lugar onde as pessoas podem conhecer os abridores, entender seus modos de fazer e se conectar com uma cultura que sempre esteve presente na Amazônia”, diz. Espaço reúne arte, memória e produção ribeirinha O Canto do Letras funciona como ponto permanente de exposição, comercialização de produtos e encontro entre mestres ribeirinhos e o público urbano. Instalado no bairro da Campina, o espaço reúne peças inspiradas nas cores, formas e ornamentos das embarcações amazônicas. Parte da renda obtida com as vendas é destinada diretamente aos próprios artistas. Além de produtos de moda e design, o local também recebe demonstrações ao vivo, oficinas e atividades ligadas à cultura gráfica amazônica. Letras que traduzem o modo de vover ribeirinho: cores, sotaques e signos da Amazônia ILQF Ao longo dos dois anos de atuação, o Instituto Letras que Flutuam promoveu encontros de formação, oficinas, exposições, murais urbanos e ações de circulação cultural voltadas à valorização dos abridores de letras da Amazônia. Desde 2024, o instituto já realizou quatro encontros reunindo mestres de diferentes municípios paraenses para debates sobre direitos autorais, empreendedorismo, redes sociais, precificação e inserção no mercado criativo. Em janeiro deste ano, a formação reuniu 26 abridores em Belém para uma imersão em empreendedorismo e gestão cultural. Uma das principais ações do projeto foi a circulação nacional “Letras que Navegam”, realizada em parceria com a Caixa Cultural em 2025. Pela primeira vez em cerca de cem anos do ofício, os próprios abridores participaram como formadores de oficinas e atividades culturais em oito capitais brasileiras: Belém, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Salvador, Recife e Fortaleza. Segundo Fernanda Martins, a iniciativa ajudou a ampliar o reconhecimento da cultura gráfica ribeirinha para além da Amazônia. “Foi o momento em que o abridor de letras falou sobre sua própria realidade, sem filtro, diretamente para as pessoas”, afirma. O instituto também participou de projetos ligados à COP e desenvolveu ações com marcas e instituições como O Boticário, Riachuelo, Sebrae e Banco do Brasil. Mural de 260m² leva a paisagem ribeirinha para escola pública no centro de Belém Além das oficinas e exposições, o grupo levou a estética dos barcos amazônicos para espaços urbanos. Em 2025, vinte mestres criaram o mural coletivo “Eu amo a energia de Belém”, com 25 metros de extensão, instalado no centro da capital. Já em 2026, nove abridores assinaram um mural de quase 260 metros quadrados na fachada da Escola Estadual Pinto Marques, no bairro de Nazaré. Segundo Fernanda Martins, uma das principais conquistas do instituto foi aproximar artistas que, apesar de compartilharem o mesmo ofício, muitas vezes não se conheciam. “As letras navegavam pelos rios, mas esses homens não se conheciam entre si”, diz. Serviço Canto do Letras — Instituto Letras que Flutuam 📍 Travessa Rui Barbosa, 257, sala 3, Vila Prana, bairro da Campina, em Belém 🗓️ Funcionamento: segundas, quartas e quintas-feiras, com visitas mediante agendamento 📱 Agendamentos: (91) 98576-4056. VÍDEOS: veja todas as notícias do Pará